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Cultura

Workshop realizado pelo IORM explorou relação entre música e dança na construção da narrativa artística

A simbiose entre corpo, som e narrativa centralizou os debates do workshop Música, Imagem e Narrativa na Dança Contemporânea promovido pelo Instituto Oswaldo Ribeiro de Mendonça no auditório Meira Júnior do Theatro Pedro II, na tarde de 19 de agosto, horas antes da apresentação do espetáculo Pertim, no palco do teatro.

Para demonstrar o processo de construção de trilhas sonoras aplicadas à cena do Espetáculo, o encontro que reuniu cerca de 60 participantes, foi aberto com a encenação de um fragmento do clássico Mãe-Coragem, de Bertolt Brecht, no qual um pato sob análise assumiu o papel de protagonista. O exercício prático serviu de gancho para aprofundar o entrelaçamento entre dança e música, abordado não como um mero acompanhamento de fundo, mas como camada essencial do processo criativo.

O elenco da Cia. Usina da Dança compartilhou a vivência de atuar como cocriador do espetáculo Pertim. Na montagem, as concepções do coreógrafo Edson Fernandes e do músico Edu eram trazidas para debate aberto com todo o grupo. Edu detalhou sua visão do fazer musical, afirmando que enxerga a música da mesma forma que vê o mundo: por meio da harmonia, da melodia e do ritmo. Para o compositor, o timbre carrega um peso expressivo fundamental, o que o levou a escutar o “timbre corporal” de cada bailarino e a perceber conexões sonoras até mesmo nas cores. O resultado foi uma trilha composta a sete mãos — a dele somada à expressão dos seis bailarinos do elenco.

Essa dinâmica de criação ao vivo marcou os integrantes da companhia. O bailarino Robert Henrique Abreu destacou a sensibilidade do trabalho: “O músico compôs as notas para gente. Foi maravilhoso, de grande afeto e sensibilidade, o que é raro nos dias de hoje”. A bailarina Jéssica Soares reforçou a riqueza da troca: “Ter uma trilha sonora feita pelo espetáculo foi uma experiência única. Já sentimos isso nos primeiros encontros e composições ao vivo. Trocávamos movimentos e sonoridades em tempo real”. Para a bailarina Karen Aparecida dos Santos Pedro, a vivência teve um significado pessoal e técnico profundo: “Eu fui aluna do IORM, tive uma formação musical no Instituto e isso me ajudou muito nesse processo de composição de trilha e coreografia.”

A fundamentação teórica e metodológica por trás dessa abordagem foi apresentada pela coordenadora artística do IORM, Valeria Pasetto, que detalhou os quatro pilares do Instituto na formação do bailarino-cocriador. O trabalho do Instituto baseia-se na Arte-Educação que integra a prática artística ao desenvolvimento humano e à cidadania, valorizando o potencial criativo e a expressão individual. Já o pilar da Educação Somática foca na conscientização do corpo, na escuta sensível das sensações internas e na busca pelo movimento orgânico e singular. Valéria também apresentou o pilar da Intertransdisciplinaridade que promove o diálogo fluido entre a dança, múltiplos saberes, linguagens artísticas e áreas do conhecimento e a Teoria da Complexidade: compreende o corpo e as relações humanas como sistemas vivos, dinâmicos e interdependentes, afastando-se de modelos rígidos ou estereotipados.

Ao público do workshop, Valeria destacou o DNA social do IORM, que busca a diversidade de corpos e gerações — valor refletido nas escolhas estéticas e na composição do elenco. Ela ressaltou ainda a parceria com a Unicamp, por meio do suporte técnico da professora Dani Gatti na estruturação da Usina da Dança, projeto formador da companhia profissional. O encontro foi concluído com a apresentação do trabalho coreográfico de Edson Fernandes e do projeto de iluminação cênica assinado por Alexandre Galvão, consolidando o caráter coletivo e multidisciplinar da produção. Os participantes do workshop receberam certificado de participação.