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Cia Usina da Dança

Espetáculo contemporâneo e autoral da Cia. Usina da Dança é aplaudido de pé no Theatro Pedro II

A noite de 19 de agosto reservou ao público do Theatro Pedro II um encontro com a dança contemporânea e a essência dos afetos humanos. Com entrada franca e plateia lotada, a Cia. Usina da Dança — corpo estável e núcleo de pesquisa do Instituto Oswaldo Ribeiro de Mendonça (IORM) — apresentou a estreia de “Pertim”, obra autoral que consolida o segundo ano de atuação contínua da companhia em Ribeirão Preto e reafirma a busca do Instituto por um trabalho artístico descentralizado, profundo investigativo e transformador, protagonizado por bailarinos criadores.

O afeto e a linguagem Cênica

Inspirado na antiga expressão portuguesa “anda cá ao pé de mim”, o espetáculo investigou o convite à presença, à escuta e à permanência junto ao outro. No palco, a obra desdobrou-se nas tensões, reencontros, carências e limites que constituem as relações humanas, traduzindo sentimentos em gestos cotidianos, brincadeiras e processos de autoconhecimento construídos de forma colaborativa pelos próprios intérpretes-criadores.

A brasilidade atravessou a cena de maneira pulsar e fluida: a valorização do corpo como espaço de fala, o calor da aproximação e o protagonismo do quadril como motor gerador de movimento conferiram ao trabalho uma elegância vibrante que flertou com o ambiente dos bailes e a energia do devir animal. Um dos momentos visuais mais marcantes foi a interação direta com uma grande cartolina estendida no chão do palco. Ao longo da apresentação, os bailarinos desenharam, escreveram e riscaram a superfície, tornando visível e tátil o rastro físico e o desgaste que a convivência deixa nos espaços que habitamos.

A dramaturgia coreográfica conduziu a plateia por um percurso estruturado em oito cenas: Azul Névoa, Tempocestral, Amigo, Giz de Cena, Caos Leste do Pulmão, Lounge, Pertim e Iriscências — esta última, um encerramento festivo que celebrou a beleza da tagarelice e da troca de afeto.

Acessibilidade

A concepção de “Pertim” reuniu nomes de destaque das artes cênicas brasileiras. A Direção e Coreografia contaram com a sensibilidade do prestigiado diretor Edson Fernandes. A trilha sonora original foi criada pelo compositor, diretor musical e educador Edu Caldera, artista reconhecido por dominar mais de 40 instrumentos e com indicação ao prêmio de Melhor Trilha Sonora no Festival de Cinema de Gramado. A Direção Técnica e a Iluminação Cênica foram desenhadas por Alexandre Galvão.

Garantindo a democratização do acesso à cultura, o espetáculo contou com os recursos de acessibilidade em audiodescrição, realizada por Bell Machado, e tradução simultânea em Libras.

“O processo criativo de ‘Pertim’ reafirma o compromisso do IORM com a democratização cultural, a pesquisa continuada em dança contemporânea e a formação de novas plateias no interior paulista. Ao colocar as experiências individuais dos bailarinos no centro da criação, a Cia. Usina da Dança prova que a arte é a nossa ferramenta mais potente para aproximar pessoas, acolher o que é íntimo e transformar vivências em um belo espaço de encontro”, destacou Valéria Pasetto, Coordenadora Artística do IORM.

Aplausos

A plateia do Theatro Pedro II reconheceu o espetáculo como uma obra de arte sensível com aplausos entusiasmados da plateia de pé. O encerramento foi marcado por momentos de grande emoção no palco: os bailarinos homenagearam a fundadora do IORM, Josimara Ribeiro de Mendonça, entregando-lhe flores sob a aclamação do público. A noite prestou também uma justa homenagem à professora Daniela Gatti, supervisora do Projeto Cia. Usina da Dança e membro do Conselho do IORM, coroando um ciclo de pura entrega e dedicação à cultura e à formação humana.