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Cia Usina da Dança

Cia Usina da Dança aprofunda processo formativo com workshop voltado à técnica, criação e presença

Cia Usina da Dança - Workshop

Conduzida por Daiana Carvalho, atividade integrou as ações estruturantes do projeto e
ampliou investigações sobre corpo, território e processos contemporâneos de criação

A Cia Usina da Dança — Ano 2 deu continuidade ao seu percurso de formação artística com a realização de um workshop voltado ao desenvolvimento técnico e criativo de bailarinos e professores do grupo. A atividade integrou as ações estruturantes do projeto e reforçou o compromisso da Companhia com a qualificação contínua de artistas que não sejam apenas executores de movimento, mas também criadores, em diálogo com a proposta institucional da Cia Usina da Dança de constituir-se como núcleo de pesquisa, criação e formação artística e cultural. 

Conduzidos por Daiana Carvalho, os encontros aconteceram em formato online nos dias 18 e 23 de março e, posteriormente, de forma presencial, nos dias 9 e 10 de abril, ampliando o alcance da proposta formativa e fortalecendo as pesquisas desenvolvidas pela Companhia. Mestra em Dança pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), bacharel em Dança e licenciada em Artes pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Daiana é artista-educadora, pesquisadora e criadora em dança contemporânea, com trajetória marcada pela criação coletiva e pela investigação das relações entre corpo, presença e participação.

Ao longo do processo, a artista convidada compartilhou com o grupo uma abordagem ao mesmo tempo sensível e vigorosa, alinhada às práticas contemporâneas da dança. Entre os eixos conduzidos por Daiana estiveram as chamadas práticas de coragem”, proposições que estimulam estados de disponibilidade, escuta e risco como impulsos para a criação. A partir dessas experiências, os participantes foram convidados a ampliar sua percepção sobre o corpo, o espaço e os modos de composição possíveis dentro e fora da sala de trabalho.

Um dos momentos centrais do workshop foi a ocupação das ruas da cidade pelos integrantes da Companhia. Nessa vivência, bailarinos e professores foram provocados a apresentar o território por meio do corpo em movimento, deslocando-se de um espaço de controle para um ambiente de instabilidade. A rua passou, então, a ser compreendida como campo de atenção ampliada, porosidade e presença, abrindo novas camadas de investigação para o processo criativo.

Inspirada por referências como Eleonora Fabião e pela arte da ação e da performance, a proposta partiu da ideia de cartografia sensível, na qual caminhar se transforma em procedimento criativo. Questões aparentemente cotidianas, como a forma de atravessar a rua, a relação com o outro, o sustentar do olhar e a escuta dos fluxos do entorno, passaram a compor um campo de investigação corporal e estética.

Durante a experiência, os participantes desenvolveram protocolos de ação, como acompanhar alguém com os olhos, alterar o ritmo da caminhada e sustentar um estado contínuo de atenção. Esses exercícios permitiram acessar camadas mais profundas de percepção e levaram o corpo a estados de alerta e, em alguns momentos, de exaustão, abrindo espaço para memórias físicas, afetivas e ancestrais. A rua deixou de ser apenas passagem e passou a ser compreendida como dimensão estética e campo de composição.

A vivência também convocou o corpo político, evidenciando a experiência de estar exposto, negociar espaços e lidar com o outro, com o risco e com a diferença. Ao trazer esse material para a sala de criação, a proposta não buscou reproduzir a rua, mas ativar suas forças e reinscrevê-las no processo artístico, ampliando as possibilidades de criação e presença cênica do grupo.

Ao longo do percurso, Daiana Carvalho contribuiu com investigações próprias, especialmente no cruzamento entre corpo, trajetória e presença. Sua atuação se destacou pela escuta, pela articulação entre diferentes linguagens e pela capacidade de sustentar processos colaborativos em um ambiente aberto e plural. A experiência reforçou a potência do encontro entre artistas com trajetórias diversas e consolidou a proposta da Cia Usina da Dança de investir em processos que valorizam o coletivo sem abrir mão das singularidades.

Mais do que uma atividade pontual, o workshop representa um investimento direto no desenvolvimento técnico e criativo dos participantes e uma etapa importante na construção da identidade cênica da Cia Usina da Dança. A ação reafirma o papel da Companhia como espaço de pesquisa, criação e troca, no qual a dança se afirma como linguagem contemporânea, campo de pensamento e prática de transformação sensível.

A iniciativa integra o Projeto Cia Usina da Dança, realizado pelo Instituto Oswaldo Ribeiro de Mendonça e pela Secretaria da Cultura, Economia e Indústria.