O mês de agosto abriu espaço para um universo de descobertas poéticas e narrativas nas bibliotecas do Instituto Oswaldo Ribeiro de Mendonça (IORM). Com o propósito de enriquecer o repertório cultural das crianças e jovens atendidos e apresentar a beleza dos gêneros lírico e narrativo, as Oficinas de Literatura promoveram vivências coletivas repletas de afeto, imaginação e escuta. A concepção e o desenho pedagógico das oficinas foram desenvolvidos pela bibliotecária consultora Maria das Graças Garcia e aplicados com sensibilidade pelas responsáveis de cada biblioteca: Laura Alves (Núcleo Guaíra), Maria Laura Ferro (Núcleo Ipuã), Bruna Sabino (Núcleo Miguelópolis) e Gislene Felix Razanauska (Núcleo Orlândia).
Na Biblioteca Energia do Conhecimento do Núcleo do IORM em Guaíra, a poesia ganhou contornos cívicos e visuais por meio do subgênero hino. A atividade teve início com a exibição de um vídeo do Hino Nacional Brasileiro e a distribuição da obra adaptada em história em quadrinhos — uma solução que traduz os versos escritos em linguagem visual, facilitando a memorização e a compreensão da métrica poética. Em seguida, os alunos participaram da criação do mural “Descomplicando o Hino Nacional”, onde registraram os termos que consideravam mais difíceis, esclarecidos ponto a ponto em uma conversa acolhedora conduzida pela mediadora.
No Núcleo do IORM em Ipuã, os estudantes exploraram as nuances do gênero lírico e seus múltiplos desdobramentos: ode, hino, elegia, soneto e écloga. Recursos audiovisuais contextualizaram os temas, com destaque para a leitura e apreciação do imortal soneto “Amor é fogo que arde sem se ver”, de Luís Vaz de Camões, musicado por Renato Russo. Pequenas liras impressas foram afixadas pelas paredes como âncoras de memória visual. O estudo do hino aproximou a turma de suas próprias raízes por meio do hino do município de Ipuã, enquanto a écloga inspirou a sensível “Exposição Gênero Lírico Écloga”, realizada à sombra de uma árvore, com leitura ao ar livre e colagens artísticas feitas com folhas caídas, lascas de graveto e punhados de terra colhidos pelos próprios alunos.
Já no Núcleo do IORM em Miguelópolis, os gêneros lírico e narrativo despertaram os sentidos. A fábula “A Galinha Ruiva” ganhou vida em uma dinâmica prática: as crianças participaram da retirada da palha das espigas de milho e se reuniram em volta da mesa para partilhar um bolo fresco, celebrando a cooperação, o trabalho em equipe e o respeito às singularidades de cada um. Para incentivar a leitura em família, cem títulos do acervo narrativo foram disponibilizados para empréstimo; os jovens registraram o momento enviando fotos dos livros nos seus cantos preferidos e se divertiram com a “Mímica de Livros”. O lírico foi explorado pelo tato e pelo olfato, com a montagem do “Varal de Definição do Gênero Lírico”, a confecção coletiva de uma lira em papel e a recitação do delicado poema “A Bailarina”, de Cecília Meireles.
A literatura entrelaçou-se harmoniosamente à dança no núcleo do IORM em Orlândia. As palavras “balé” e “dança” foram escritas pelos educandos com glitter dourado, compondo uma instalação reluzente na entrada da biblioteca. A coordenadora artística do IORM, Valéria Pasetto, participou por meio de uma mensagem em vídeo que celebrou o diálogo íntimo entre os livros e o movimento corporal. Guiados por um banner acadêmico, os alunos mergulharam na história de “O Menino que Aprendeu a Ver”, de Ruth Rocha, impulsionados pela energia do comando lúdico “Ação!”. As crianças também compartilharam as experiências com a fábula “A Galinha Ruiva”, a dinâmica da “Mímica de Livros” e os empréstimos literários.
Ao longo de todo o mês, cada polo traduziu os conceitos da teoria literária em práticas vivas, afetuosas e compartilhadas, estreitando os laços entre os educandos, suas famílias e o universo das bibliotecas.
A iniciativa integra o Projeto IORM Cultural 2026, realizado pelo Instituto Oswaldo Ribeiro de Mendonça em parceria com o Ministério da Cultura, reafirmando o compromisso de democratizar o acesso à arte, incentivar a formação leitora e semear horizontes de cidadania por meio da palavra.


























