A Cia. Usina da Dança, núcleo artístico do Instituto Oswaldo Ribeiro de Mendonça (IORM), inicia um novo e maduro capítulo em sua trajetória com o desenvolvimento de “Pertim”.
Sendo o primeiro espetáculo autoral de grande estrutura da companhia, a criação é concebida integralmente a partir da pesquisa e da vivência de seus próprios intérpretes-criadores. O marco acontece no segundo ano de atuação do corpo estável em Ribeirão Preto, consolidando a busca do Instituto por uma linguagem artística própria, humana e descentralizada.
Após um ciclo inicial dedicado à estruturação formativa, a companhia aprofunda sua identidade estética por meio de um processo colaborativo de investigação corporal e construção coletiva. Para guiar essa imersão, o IORM convidou o renomado diretor e coreógrafo Edson Fernandes — artista com sólida carreira nacional e internacional. A atmosfera cênica ganha ainda mais força com a trilha sonora original criada pelo premiado multi-instrumentista e compositor Edu Caldera.
A poética da proximidade
“Pertim” extrai sua premissa lírica da antiga expressão portuguesa “anda cá ao pé de mim”. O ditado serve como um convite — por vezes imperativo — à escuta, à presença e à permanência ao lado do outro. Em um mundo marcado por conexões superficiais, a obra mergulha de forma honesta nas camadas das relações humanas, explorando os limites entre o estar perto e o poder estar longe.
No palco, os bailarinos traduzem corporalmente os encontros e despedidas, as tensões de compartilhar o mesmo espaço, o afeto e as carências. A dramaturgia coreográfica ganha contornos reais ao incorporar gestualidades do cotidiano, brincadeiras e processos profundos de autoconhecimento dos próprios intérpretes.
Um dos grandes diferenciais cênicos da montagem é a interação em tempo real com o cenário: uma grande cartolina estendida no palco recebe intervenções, escritas e riscos ao longo da apresentação. O papel registra as trajetórias desenhadas pelos bailarinos, tornando visualmente palpável a construção e o desgaste das relações estabelecidas no espaço.
Brasilidade e Identidade Corporal
A essência brasileira atravessa a concepção de “Pertim”. Ela se manifesta na forma calorosa com que o afeto é externalizado, na valorização do corpo como um território legítimo de expressão e no protagonismo do quadril como o mote gerador do movimento. Dialogando com o universo do baile, do jogo e da troca entre os corpos, a coreografia evoca uma elegância que flerta, magneticamente, com um devir animal.
Ficha Técnica
Para dar vida a um projeto dessa magnitude, o IORM uniu talentos de trajetórias singulares: Edson Fernandes, responsável pela Direção e Coreografia do espetáculo e Edu Caldera, autor da trilha sonora.
Edson Fernandes é dançarino, performer e artista plástico, Fernandes traz a bagagem de projetos desenvolvidos no Brasil e em países como Alemanha, França, Suíça, Holanda e Portugal. Fundador da Cia. Riscas de Dança Contemporânea, o profissional já colaborou com ícones da dança nacional, como Ivonice Satie, Ismael Guiser e Luiz Arrieta.
A trilha sonora original do espetáculo é assinada por Edu Caldera. Ele que é diretor musical e educador com mais de 200 produções no currículo, é um multi-instrumentista reconhecido por transitar por mais de 40 instrumentos.
Indicado ao prêmio de Melhor Trilha Sonora no Festival de Cinema de Gramado, ele desenhou uma tapeçaria sonora que dialoga intimamente com as atmosferas e silêncios propostos pelos bailarinos.
“O processo criativo de “Pertim” reafirma o compromisso do IORM com a democratização cultural, a pesquisa continuada em dança contemporânea e a formação de novas plateias no interior paulista. Ao colocar as experiências individuais dos bailarinos no centro da criação, a Cia. Usina da Dança prova que a arte é a nossa ferramenta mais potente para aproximar pessoas, acolher o que é íntimo e transformar vivências em um belo espaço de encontro.”, destaca a Coordenadora Artística do IORM, Valeria Pasetto.





























