Onde é o Nosso Lugar — espetáculo IORM

O espetáculo Do Lado de Lá

Usina da Dança convida a descobrir a cidade com outros olhos

IORM — Instituto Oswaldo Ribeiro de Mendonça

O que existe do lado de lá daquilo que estamos acostumados a ver?
Essa pergunta é o ponto de partida do novo espetáculo da Usina da Dança, do Instituto Oswaldo Ribeiro de Mendonça (IORM). Em novembro e dezembro, Do Lado de Lá percorre quatro cidades com um convite: reconhecer as pessoas, os afetos e as histórias que dão vida ao lugar onde vivemos. Aqui, o espetáculo começa muito antes do palco. Começa na escuta das crianças e dos jovens, nas rodas de conversa e na descoberta dos espaços de cada município. Os alunos escolheram coletivamente lugares de suas cidades, observaram o território e investigaram como apresentar essas descobertas por meio do corpo e do movimento. São autores de uma criação que nasce da experiência de pertencer.

A cidade também nos ensina.
Inspirado por experiências formativas em Reggio Emilia, na Itália, o processo criativo aproxima arte, educação e vida comunitária. A cidade é compreendida como um corpo vivo, que nos forma e também se transforma com a nossa presença. Suas ruas, praças e espaços cotidianos são lugares de aprendizagem, encontro e memória.

Direção Geral e Artística
Valéria Pasetto

No palco, essa investigação dá visibilidade a quem sustenta a vida da comunidade: pessoas que acolhem, cuidam, ensinam, plantam, constroem e preservam histórias. As cadeiras são o elemento central da cena. Pela imaginação e pelo movimento, deixam de ser apenas objetos e se tornam corpos, lugares e paisagens, revelando outras maneiras de compreender o mundo.

A estrutura do espetáculo é compartilhada, mas cada cidade constrói sua própria versão. As escolhas dos alunos e as histórias de cada território transformam a obra. Por isso, Do Lado de Lá é também um encontro com aquilo que torna cada comunidade única.

Para o IORM, educar através da arte é criar condições para que crianças e jovens desenvolvam autonomia e participem da construção de seu futuro. Nesta turnê, essa formação ganha o palco e se aproxima das famílias e da comunidade.

Processo Criativo Saiba maisFechar

O processo de criação do espetáculo Do Lado de Lá nasce da continuidade de uma pesquisa autoral que a Usina da Dança vem desenvolvendo nos últimos anos, conectando arte, território, pertencimento e escuta das infâncias. Há 3 anos temos conectado os temas de nossos espetáculos com criações autorais… Portanto, permanece implícito o trabalho com as questões de crises existenciais, pertencimento, identidade e perspectivas (ou a falta delas) que apareceu, à priori, no “Raízes e Asas”.

Depois de Raízes e Asas, Travessias e Onde é o Nosso Lugar?, surgiu uma nova pergunta: o que existe do lado de lá daquilo que estamos acostumados a ver?

A construção deste novo espetáculo foi profundamente atravessada pelas experiências vividas durante o aprofundamento formativo em Reggio Emilia, especialmente pelas discussões sobre a urgência da criatividade no chão da escola e dos projetos sociais. As palestras e vivências reforçaram a necessidade de defendermos processos autorais como espaços de formação crítica, sensível e humana, onde crianças e jovens não apenas reproduzem, mas criam, investigam e constroem pensamento.

Nesse contexto, o espetáculo propõe deslocar o olhar sobre a cidade, sobre os corpos e sobre os espaços que nos educam. A cidade aparece como corpo vivo: um território que molda, atravessa, transforma e também é transformado pelas pessoas que o habitam.

O início do processo com a equipe artística e psicossocial da Usina da Dança, aconteceu no dia 02 de junho, online, com o objetivo de sensibilizar os professores para a temática central suscitada pela escuta da coordenação artística. Algumas perguntas foram feitas para gerar um momento de reflexão sobre a cidade: O que é cidade? O que é a sua cidade pra você? O que forma a sua cidade?

Em seguida, uma breve prática corporal a partir das respostas para as perguntas anteriores: Como você apresentaria sua cidade para alguém, através do seu corpo?

A escolha das cadeiras como elemento central do espetáculo nasce dessa travessia entre arte, memória, pedagogia e experiência sensível.

A primeira inspiração surgiu a partir da pesquisa cênica desenvolvida por Edinho no espetáculo Pertim, onde a cadeira aparecia quase como presença humana — não apenas um objeto, mas um corpo, uma companhia, um lugar de espera, encontro e afeto. Essa percepção abriu caminhos para compreendermos a cadeira como linguagem poética.

O espetáculo em cada cidade

Confira as datas, os horários, os locais e os elencos de cada apresentação.

Uma construção coletiva

Nas palavras de quem viveu o processo.

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